Trocando o consumismo pelo consumo

Para quem não sabe, cuido das redes sociais de algumas marcas cearenses, e lido todo dia com o desejo (e muitas vezes desespero) de alguns consumidores. E já tem um tempo que eu me vejo num conflito entre o consumismo e a moda. Eu amo a moda e trabalho com ela. Também trabalho diretamente com o consumo, mas sou muito mais cautelosa com ele.

Arquivo 15-09-15 19 56 52

Todo o mundo já leu alguma matéria ou ao menos uma chamada falando que a forma que consumimos está mudando. Passamos a pensar mais em como vamos gastar nosso rico dinheiro – tudo gracas às várias crises que estamos enfrentando (econômica, ecológica, social, etc). Sendo assim, o primeiro passo é substituir o consumo de marcas internacionais por marcas locais menores, pois normalmente elas têm um preço mais em conta, além de não explorarem seus trabalhadores (esse é outro ponto em que os consumidores estão mais exigentes). Também tem o aspecto do desejo pelo novo, já que as marcas mais tradicionais estão apostando apenas no certeiro, no básico, e o desejo de ousadia não está sendo saciado, enquanto as marca menores apostam justamente nesse diferencial.

Só que está rolando um fato muito engraçado: as pessoas ainda não pararam de ser consumistas! E aí vem o conflito entre termos consumidores “mimados” que querem demais e marcas locais “limitadas” que não têm estrutura para produzir pra todo o mundo! Essa conta não bate! Daí vem a frustração em ver o produto que você queria esgotar rapidamente, menos variedade de peças nas lojas, e até dificuldade de encontrar a loja em si, pois algumas marcas nem loja física têm, e quando tem é só uma. Sem falar que agora você dificilmente consegue tudo o que quer em um só lugar (lojas de shoppings são mais caras)! E é esse o tempo doloroso que vivemos, onde temos que aprender a tirar o -ismo do consumismo e nos contentarmos com o simples consumo, limitado, exigente e frustrante.

Ver essa transformação em três ângulos diferentes (como consumidora, como porta-voz de uma marca, e observando os clientes delas) me traz mais questionamentos do que respostas: “como eu, como consumidora, devo lidar com essa minha frustração?”, “como uma marca deve vender seus produtos sem ‘apelar’ para o consumismo?”, “qual a melhor maneira de educar os consumidores mimados que estão se frustrando com as marcas que eu trabalho?”. Ainda não achei as respostas para essas perguntas, mas no caminho a gente vê onde isso vai dar!

– E você, vem sentindo essa leve frustração na hora de comprar? –